De um pedido feito a um neurologista australiano em 1953 nasceu um trabalho que atravessaria décadas, reuniria médicos e pesquisadores e chegaria a casais em diferentes partes do mundo. Conheça a trajetória de John e Evelyn Billings e o desenvolvimento do método que passou a levar seu nome.

Uma história que começou com um pedido inesperado

Em 1953, o médico australiano John Billings trabalhava como neurologista em Melbourne. Sua carreira até então estava distante da área de fertilidade: havia se formado em medicina, atuado durante a Segunda Guerra Mundial e se especializado em neurologia.

Foi nesse contexto que o padre Maurice Catarinich, que trabalhava com orientação matrimonial, pediu sua ajuda. Havia casais procurando uma maneira natural de compreender e administrar sua fertilidade, e John foi convidado a estudar o assunto.

Ele imaginou inicialmente dedicar cerca de três meses ao trabalho. Esses três meses acabariam se transformando em uma atividade que o acompanharia pelo restante da vida.

Ao revisar a literatura médica existente, John encontrou referências à relação entre as secreções produzidas pelo colo do útero e o período da ovulação. A partir daí começaram observações clínicas com a colaboração de mulheres que registravam aquilo que percebiam ao longo de seus ciclos.

Era o início de um processo de investigação que, ao longo dos anos seguintes, passaria por observação clínica, estudos hormonais e outras pesquisas científicas.

Evelyn Billings: médica, pesquisadora e parceira desse trabalho

John não percorreu esse caminho sozinho.

Sua esposa, Evelyn Livingston Billings, também era médica. Ela estudou medicina na Universidade de Melbourne em uma época em que havia pouquíssimas mulheres no curso e posteriormente se especializou em pediatria em Londres. Depois do retorno do casal à Austrália, trabalhou também na Universidade de Melbourne nas áreas de embriologia e histologia.

John e Evelyn haviam se casado em 1943 e formaram uma grande família. Ao mesmo tempo em que exerciam a medicina e criavam seus filhos, Evelyn passou a participar cada vez mais das investigações relacionadas à fertilidade feminina.

Sua contribuição foi especialmente relevante na observação de diferentes situações da vida reprodutiva da mulher, incluindo períodos como amamentação e pré-menopausa. Com o tempo, John e Evelyn tornaram-se inseparáveis também nesse trabalho científico e educativo.

A WOOMB International, organização que hoje preserva e difunde o método, apresenta os dois como seus fundadores e destaca o compromisso do casal em tornar esse conhecimento acessível em diferentes partes do mundo.

A observação clínica encontra a pesquisa científica

À medida que as observações se acumulavam, tornou-se necessário verificar cientificamente o que estava sendo percebido pelas mulheres.

Um dos nomes fundamentais nessa etapa foi o professor James B. Brown, pesquisador especializado em hormônios reprodutivos. John Billings iniciou com ele uma colaboração de longa duração entre o trabalho clínico e a investigação hormonal.

Outro pesquisador importante foi o professor sueco Erik Odeblad, cujos estudos contribuíram para compreender diferentes tipos de muco cervical e sua relação com a fisiologia do sistema reprodutor feminino.

A interação entre aquilo que a mulher observava e os fenômenos fisiológicos estudados em laboratório tornou-se uma parte importante da base científica que acompanhou o desenvolvimento do método.

O Método de Ovulação Billings® não nasceu, portanto, de uma única descoberta isolada. Seu desenvolvimento foi resultado de décadas de observação clínica, colaboração com mulheres, investigação médica e trabalho conjunto de diferentes pesquisadores.

Da Austrália para outros países

Com o desenvolvimento do trabalho, John e Evelyn passaram também a dedicar grande parte de suas vidas à formação e à divulgação internacional.

O método começou a ser ensinado em diferentes países, surgiram organizações nacionais e tornou-se necessária uma estrutura para preservar o conteúdo e a formação dos instrutores.

Em 1978 foi constituída a WOOMB International Inc., tendo John e Evelyn Billings entre seus dirigentes. A atual WOOMB International Ltd. mantém a missão de preservar e difundir a autenticidade do método em âmbito internacional.

No Brasil, a CENPLAFAM WOOMB Brasil atua como organização afiliada e referência nacional para formação, acompanhamento e divulgação do método.

Um trabalho que ultrapassou a vida profissional

Talvez um dos aspectos mais interessantes dessa história seja que aquilo que começou como uma tarefa médica temporária acabou ocupando mais de meio século da vida do casal.

John continuou ligado ao trabalho até sua morte, em abril de 2007. Evelyn também permaneceu envolvida na transmissão desse conhecimento e na formação relacionada ao método.

A trajetória dos Billings mostra ainda algo particularmente interessante: uma observação que poderia parecer simples no cotidiano feminino tornou-se objeto de décadas de investigação clínica e científica.

E, no centro desse processo, permaneceu uma ideia bastante concreta: ajudar a mulher a prestar atenção ao próprio corpo, registrar suas observações e compreender seus padrões com conhecimento adequado.

Para conhecer mais

Para quem deseja aprofundar a leitura, a CENPLAFAM mantém uma relação de materiais oficiais e recomendados sobre o Método de Ovulação Billings®.

Os livros associados a este artigo são exibidos pelo site de acordo com o país do visitante. Alguns desses links podem ser links de afiliado.

Onde buscar informações oficiais

Para quem deseja aprender o Método de Ovulação Billings®, a orientação deve vir de fontes oficiais e de instrutores devidamente formados.

A CENPLAFAM mantém materiais e referências em português, enquanto a WOOMB International disponibiliza informações sobre a história, a ciência, a formação de instrutores e sua rede internacional.

Nota editorial

Método de Ovulação Billings® é uma marca utilizada pela WOOMB International Ltd.

O Natus é uma ferramenta independente de registro e organização de informações. Este conteúdo tem finalidade histórica e informativa e não constitui instrução para utilização do método. O Natus não substitui a formação ou o acompanhamento por instrutor credenciado e, enquanto não houver manifestação institucional em sentido diferente, não deve ser apresentado como aprovado, recomendado ou endossado pela WOOMB International ou pela CENPLAFAM.

Fontes